Em extinção, as padarias, juntamente com o pão. Do pão alentejano em saco de pano, ainda descubro em algumas paragens de um pais interior, esquecido e sem hipermercados em redor.Da padaria da rua da Beneficência, cheia de azulejos azuis e brancos,ainda oiço um eco das traseiras, com grandes cestos em verga a rolar no chão enfarinhado.
Mudámos de casa, a padeira deixava o pão quentinho pendurado na porta. Depois vieram as padarias. A mãe ganhava 20 escudos de mesada por ir ao pão todos os dias (10 cêntimos!). Só havia carcaças, bolas, pão saloio e pão integral.
Nas férias, deliciava-me com os nacos assimétricos de regueifa quentinha com manteiga, que a avó ia buscar antes do pequeno-almoço.
Com a introdução das francesas ‘baguetes’, do pão mexicano, das coberturas de sementes, do afamado pão de Mafra reproduzido em moldes duvidosos, viu-se a ascensão do aspecto do pão e o declínio na sua qualidade. Vendia-se pão em todo lado - cafés, supermercados, confeitarias, pastelarias…
Do pão de forma só me lembro da sua utilidade - quando fomos acampar 3 dias para o isolado Gerês.
Gostava de comer pão com pão, tal como o meu filho mais velho, de preferência quentinho. Gostava. Passado. Agora só sinto a memória do cheiro, do calor do forno, do sabor gostoso que está praticamente extinto. O pão que encontro ao virar da esquina é branco, congelado, oco e caro.
2 comentários:
Também tenho memórias parecidas, mas de casa da minha avó.
Hoje em dia o único sítio onde consigo encontrar pão "a saber a pão" é na terra dos meus sogros.
Queixo-me do mesmo. Detesto o pão branco que por aí se vende!
Bjinhos
Viaja para o interior, para uma pequena vila, vais ver que ainda encontras bom pão!
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